Com o aproximar do Verão, o antigo parque de campismo da Praia Grande, em Sintra, pode transformar-se numa "situação explosiva". O alerta é do deputado Francisco Lopes, do partido Os Verdes, que ontem voltou a visitar o local a convite da comissão de utentes e da Quercus.."Faz exactamente um ano que estivemos aqui e a situação é agora particularmente grave", afirmou. "Apesar dos esforços dos antigos utentes, que mantêm alguma vigilância e manutenção do espaço, o parque de campismo foi deixado ao abandono", sublinhou o deputado. .As instalações foram encerradas em Setembro de 2005 por falta de condições e abandonadas pela empresa arrendatária, a Wondertur. Desde então, uma comissão de utentes tem resistido ao seu fecho definitivo. Mas a vegetação tomou conta dos 50 mil metros quadrados do terreno, que "em vez de ser uma mais valia, está a colocar em perigo uma parte importante do Parque Natural Sintra-Cascais", considerou o Francisco Lopes, que também criticou "o desinteresse dos poderes públicos". .Além do mato, existe um canto transformado em lixeira. "Vamos pedir uma intervenção da Câmara de Sintra, porque isto assim é um perigo", admitiu Jorge Pacheco, um dos ex-utentes. "Antes de fechar, chegámos a ter aqui quatro mil pessoas" lembra. "E continuam a vir cá muitos turistas perguntar se podem acampar, basta estar ali uns minutos à porta. Isto assim fechado é uma aberração", lamenta..Outro utente, Álvaro Mortágua, conta que no último campeonato de surf da Praia Grande os participantes foram obrigados acampar na praia. "É muito má imagem para o concelho", sublinha. .A comissão de utentes acredita que existem investidores interessados na construção de um novo parque de campismo no local. "Soubemos que esteve cá um grupo francês no início do ano e que há mais dois privados interessados no espaço, entre eles a Orbitur", afirma Jorge Pacheco..Mas o actual proprietário diz desconhecer estas pretensões. "Não sei de nada e não me interessa vender porque também comprei o espaço para lá construir um novo parque de quatro estrelas, conforme previsto no Plano de Ordenamento do Parque Natural", disse..Eugénio Martins Ferro explicou ao DN que não pode fazer nada enquanto o tribunal de Sintra não concluir o processo que moveu contra a antiga arrendatária, a Wondertur. "A empresa ainda não rescindiu o contrato e está há dois anos sem me pagar renda", queixou-se. .Entretanto, "tenho uma arquitecta a elaborar o projecto, mas ainda não o apresentei a ninguém", disse. Quanto ao lixo, "ainda é responsabilidade da Wondertur" . |